O que é terapia artística?
Esta é uma prática que surgiu como fruto do trabalho conjunto de R. Steiner e Ita Wegman, numa clinica terapêutica na Suíça, em 1923. Steiner como médico já indicava a pintura como terapia e a partir daí outras atividades artísticas foram também sendo usadas de forma terapêutica com os pacientes da clínica. Houve então a necessidade de se “proteger” essas atividades como uma nova profissão, com enorme aplicação no futuro. M. Hauschka percebeu isso e “sistematizou” a terapia artística.
A terapia artística é uma das várias práticas da Antroposofia, uma ciência espiritual que se interessa tanto pelos processos físicos abordados pelas ciências naturais, como também por todos os processos que não são materialmente mensuráveis, os supra-sensíveis. O fundamento filosófico da terapia artística, bem como das outras práticas antroposóficas, parte de uma imagem de ser humano constituído de corpo físico, corpo da vitalidade, corpo das emoções e do Eu, núcleo de consciência espiritual.
Pensar por imagem é um exercício comum a todos nós que lidamos com a arte. Mas para o terapeuta artístico é a principal forma de pensar. Fazemos uma imagem do paciente que nos chega (como é, o que parece, o que nos lembra...), fazemos uma contra-imagem de onde queremos chegar com ele (o que falta, o que é saudável para ele, o que precisa), e buscamos, imaginativamente, exercícios artísticos terapêuticos adequados para que o processo de buscar a nova imagem ocorra. E uma característica importante desse processo é que ele parta da situação em que o paciente se encontra (que o terapeuta deve aprender a compartilhar) para ir aos poucos em direção ao que ele precisa e busca.
Então é necessário que o terapeuta artístico compreenda quais são as forças que atuam atrás daquela patologia ou disfunção que o paciente apresenta; precisa entender também quais as forças são mobilizadas com cada exercício artístico – é claro que para cada pessoa uma mesma atividade artística atua de forma específica, mas existem forças arquetípicas básicas comuns por trás de cada uma delas –, e por fim, o terapeuta precisa estudar também qual é a tarefa artística mais adequada para aquele ser naquele momento, com aquela biografia, com aquela patologia, com aquela característica.
O caminho da excitação antroposófica (consequentemente o trabalho do terapeuta artístico) não tem nenhum processo misterioso como pode parecer quando falamos do supra-sensível. Consiste apenas numa “intensificação” do pensar, do sentir e do agir comuns, partindo de vivências conhecidas de todos, só que praticadas com mais consciência.
Exercitando o olhar que vê o fenômeno “apalpando-o por dentro”, compartilhando de sua dinâmica interior. É o primeiro passo para a imaginação, o pensar em imagens, e desvanece o raciocínio puramente intelectual, que é o suporte principal da nossa vida psíquica atualmente.
Exercitando o silenciar das opiniões pessoais, julgamentos, simpatias e antipatias e permitindo que o que vem de fora, aquilo que foi apalpado pelo pensar, “ressoe e continue a vibrar em nós”. É o primeiro passo para a inspiração, uma vivência pessoal interna, calma, que vai na essência de tudo.
Exercitando a capacidade de amar, de fazer junto, em doação. Passamos a ser capazes de lidar, através de ações no mundo, com aquilo que observamos e objetivamente sentimos. É o primeiro passo para a intuição, ou seja, a “presença de espírito” em nossas vidas.
Então, observando o paciente imaginativamente, inspirados para senti-lo na sua essência, livre das nossas simpatias e antipatias, teremos a intuição do melhor caminho de exercícios artísticos terapêuticos para trabalhar com ele, a fim de que, de “paciente”, ele possa se tornar “agente” das suas próprias mudanças. Pois as mesmas forças criativas que ele usar para modelar, pintar, desenhar serão as forças que irão ajudá-lo a reencontrar a saúde, a reestruturar seu corpo físico-etérico, seu corpo anímico e seu ser espiritual.