Os três primeiros anos da criança são de suma importância para seu desenvolvimento integral. Nestes primeiros anos, a criança é um organismo totalmente sensorial. Vive “saboreando” tudo que ingere. Tudo o que no adulto está localizado nos órgãos dos sentidos (boca, olhos, nariz...), na criança se distribui por todo o organismo.
Também na criança pequena não existe separação entre corpo/alma/espírito. Tudo que atua do exterior é reproduzido interiormente; a criança reproduz, pela imitação, tudo o que a circunda.
Assim, nesta condição humana tão especial e sensível, são adquiridas as três atividades que influenciarão toda a vida da criança: o andar, o falar e o pensar.
ndar é colocar-se em posição de equilíbrio diante do mundo espacial. Aprender a andar significa encontrar as direções espaciais do mundo e nelas engajar o próprio corpo. Surge dos impulsos inatos, e é também uma imitação do adulto ereto.
A criança é sensível às influências tanto físicas quanto mais sutis (mentais, morais, emocionais) do ambiente. Ela sente o que pensamos e sentimos à sua volta. Se forçarmos a criança a andar, se coagimos a criança, prejudicamos sua organização terrena; quando tiver seus 50, 60 anos, muito provavelmente padecerá de enfermidades metabólicas incontroláveis (como reumatismos, artrites, gota etc.). Toda a educação anímico-espiritual é fisicamente atuante.
Uma criança amorosamente conduzida a andar torna-se uma pessoa sadia, especialmente corporalmente. Ter amor por este segredo maravilhoso da Natureza que é ficar de pé e ter veneração pelas forças criadoras que orientam a criança no espaço, isso conduz a um correto andar.
A fala desenvolve-se a partir da orientação no espaço. Os movimentos com a mão direita atuam diretamente no hemisfério esquerdo (área de Broca) que plasma o aspecto motor da fala.
Mas a fala provém na verdade de todo o organismo motor do homem: o movimento das pernas se relaciona com o tom da voz, o articular de braços e mãos, à plasticidade das palavras. O matizado da fala está em relação direta com a organização motora da criança, a forma como ela aprendeu a andar e a se mover no espaço. O aprender a falar, portanto, se relaciona com todo o organismo. Como o corpo segue o mais sutil a cada passo de seu desenvolvimento, para ajudar no aprendizado da fala da criança, o adulto deve ser interiormente verdadeiro. A verdade do adulto é captada no físico da criança; a falsidade (como imitar e usar o balbuciar infantil ou mesmo falar mentiras) prejudica fisicamente a criança, adoecendo os órgãos da digestão.
O pensar surge a partir da fala. A clareza do pensamento do adulto ao redor da criança reproduz internamente no organismo físico dela o elemento espiritual que produz um correto pensar.
Se provocarmos confusão (dizemos uma coisa e em seguida mudamos) ao redor da criança, ela se torna um adulto nervoso. Por isso o nervosismo é tão comum em nossa época, pois as crianças estão constantemente sujeitas aos adultos que não pensam de forma clara e precisa, e constantemente mudam de idéias e se confundem.
Quando observamos certas falhas em nossas crianças numa época posterior, essa é uma boa razão para voltarmos para nosso interior e nos conhecermos melhor...
Amor no aprendizado do andar;
Veracidade no aprendizado da fala;
Clareza e determinação no aprendizado do pensar.
Tudo isso se transforma em organização física da criança, no primeiro caso mais ligada aos ossos e músculos, no segundo aos órgãos internos e no terceiro aos nervos e vasos.
Todos nós somos educadores para os primeiros anos de vida das crianças. Torna-se necessário, então, um verdadeiro conhecimento da natureza humana para que se aprenda um caminho ascendente, não descendente, na evolução da humanidade!
Resumo elaborado por Simoni Rodrigues Alves do livro “Andar, falar, pensar” de Rudolf Steiner – Editora Antroposófica